Comunidade Evangélica Rocha Viva

Curso de Liderança

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Refletindo sobre o nosso tempo e as implicações na liderança cristã

Vivemos hoje num período de mudanças, estamos bem dentro da era de transição da modernidade para a pós-modernidade. Vemos ao afã da industrialização, da autonomia de cada país e sua capacidade de ser independente e produtivo dando lugar à globalização, a comunicação on-line e a interatividade deixando o mundo “sem fronteiras”.

Neste mundo movido pela Internet nos faltam referenciais para ordenar nossos comportamentos. A nossa geração está marcada pela relativização, pelo caráter corrompido, pela integridade pessoal ameaçada, pela superficialidade nos relacionamentos, pela impessoalidade, frieza afetiva e pela falta de estrutura das famílias, o que gera uma urgente necessidade de busca de novos paradigmas para responder as demandas e desafios que temos diante de nós.

Esse quadro mundial nos desperta a preocupação quanto à teologia e a prática da liderança cristã e pastoral neste novo século.

Nos surge então uma questão:

Qual é, pois, o modelo de liderança que necessitamos gestar e abraçar, tendo em vista a realidade e os desafios que este tempo nos propõe?

Temos que perceber que só podemos nos referir a modelos de liderança na medida em que estas surgirem de um diálogo entre a Palavra de Deus e o nosso contexto de vida, pois a liderança ocorre em meio aos nossos dias e a sua relevância tem relação com essa capacidade de dialogar com essa geração em transição.

Concluímos então que o nosso tempo requer novos modelos de liderança que observem o seu tempo e enxerguem algumas coisas como:

1 – A Força do Mercado

O que caracteriza o mercado é a busca pelo lucro, pela acumulação ilimitada de bens, a concorrência, a competição e a promessa de satisfazer todos os desejos dos consumidores.

O nosso mundo está mergulhado nesse sistema de mercado. As nossas relações estão sendo estabelecidas com base nas regras ditadas pelo mercado. Estamos sempre buscando algo em troca algum lucro que qualquer relacionamento que firmamos. Somos consumidores!

No mercado quem dita as regras do jogo é sempre o mais forte, o mais esperto, o mais bonito, o mais.... Só é interessante para o mercado aquele que pode ser um consumidor, os pobres, os pequenos e os fracos oscilam entre serem consumidores ou consumidos e descartados, ficando a margem da sociedade. Neste contexto a religião tem figurado como mais um produto a ser absorvido pelo consumo. Hoje as igrejas têm se preocupado não mais em pregar a verdadeira essência do cristianismo, mas em agradar os consumidores. As relações com Deus têm se resumido em mais uma relação de consumo, onde eu faço um investimento para adquirir um produto, ou melhor, uma bênção.

O líder cristão deve estar atento para esse “espírito do mercado” que tem atuado dentro dos ambientes cristãs. Observar se as relações entre as pessoas e até as relações com Deus, de seus liderados, não estão sendo firmadas nestes moldes mercadológicos.

2 – A síndrome do Engenheiro

O nosso tempo é marcado pela ditadura da funcionalidade. “Se funciona, é bom!“ Não importa como foi feito.

Na igreja essa cultura foi absorvida, pois para tudo tem-se uma técnica. Técnica para orar, técnica para ser batizado pelo Espírito Santo, técnica para ser abençoado financeiramente, técnica apara expulsar demônios, técnica o louvor impactar a igreja, técnica, técnica e mais técnica.

E o fato é : quanto mais técnica menos oração e dependência de Deus.

Cabe ao líder cristão discernir essa síndrome do engenheiro atuando dentro da igreja e perceber se a oração, a comunhão e o relacionamento com Deus têm dado lugar à técnica, pois, quando isso acontece o Espírito Santo é reduzido a um serviçal que somente atua sob algum tipo de técnica.

3 – A moda do fast-food

Nós não podemos ser ingênuos e acreditar que um curso seja ele longo ou curto, basta para formar um líder. É certo que hoje, na cultura secular, líderes são criados a partir de laboratório. É líder aquele que tem mais cursos. Mas para o povo de Deus o modelo de formação é bem diferente.

Não existe fast-food na formação de um líder cristão, tudo acontece através de um processo. O treinamento é através das experiências, das diversas circunstancias da vida e principalmente da intensidade de seu conhecimento de Deus.

Mas temos ainda que notar que a palavra conhecimento aqui assume um significado diferente. Isso acontece porque a nossa cultura reduziu conhecimento a aquisição de informações, enquanto a Bíblia dá outra conotação para essa palavra. Nas Escrituras conhecer quer dizer relacionar-se. Portanto conhecer Deus quer dizer relacionar-se com Ele.

A grande tendência de muitos líderes cristãos de hoje é: “pregar a verdade, utilizar a verdade, mas não viver a verdade”.Enquanto que o plano de Deus em estabelecer lideranças é para que esses líderes vivam a experiência de conhecer Deus e experimentar de seu amar, para que possam conduzir vidas à transformação.

Para isso tem que se ter paciência, trabalho e muita dedicação para ser um líder cristão, cujo modelo é Jesus Cristo.

Bibliografia

- Pessoas, Tarefas e Alvos – Ed. ICI

 
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